O fim está próximo...

     A única certeza que temos na vida é que a morte chegará para todos.

    Mesmo assim, vivemos ignorando essa certeza, até que a realidade nos atinge com brutalidade!

    No começo de fevereiro de 2026 senti uma dor no lado esquerdo inferior da barriga e dificuldade de urinar, pensei logo de imediato que era outra pedra no rim e corri para o Pronto Atendimento.

    O hospital fez um ultra-som e percebeu que meu baço estava aumentado, indicando problema no fígado.

    Fui internado para fazer uma ressonância e essa diagnosticou cirrose hepática avançada e orientou a consultar um especialista.

    Demorou um tempo razoável para conseguir agendar com o hepatologista, que solicitou um monte de exames de sangue e urina, além de uma colonoscopia e endoscopia.

    Mais um tempo até sairem os resultados e chamou a atenção o nível de alfa-fetoproteina, um indicador de câncer no fígado.

    Solicitou uma nova ressonância com outro tipo de contraste e no começo de Abril, dia 14, uma terça-feira, o resultado foi analisado.

    Cirrose hepática com dois tumores no fígado e trombose na veia porta, tratamento transplante.

    Pediu novo exame da Alfa-FetoProteína, que estava pouco acima de 1100 e pra habilitar o transplante, teria que estar abaixo de 1000.

    Indicou alguns médicos em Curitiba e São Paulo para iniciar os procedimentos, começando por uma quimio-embulização para reduzir o tamanho dos tumores e tentar baixar a Alfa-FetoProteína.

    O Hospital Angelina Caron fica em Campina Grande do Sul, é gigantesco e atende pelo SUS.

    Juliana conseguiu marcar uma consulta para quinta-feira (atendem apenas nas terças e quintas).

    Em 58 anos, foi a primeira vez que precisei do SUS, em um dos vários blocos do Hospital, estava o Pronto Atendimento do SUS.

    A placa acima de uma entrada, que era um corredor lateral indicava o caminho, levou a um salão grande, cheio de gente aguardando.

    O horário agendado de 07h00 não era pra consulta, o procedimento normal, que descobri ser padrão em todos os hospitais, é aguardar a triagem que encaminha para o médico atendente.

    Umas horas depois, a médica atendente olhava a documentação encaminhada e transcrevia para um computador algumas anotações.

    Disse que não era caso de transplante ainda e era pra voltar daqui a alguns meses, mas encaminharia para executar a quimio-embulização em outra área do hospital.

    Nessa outra ala, a médica atendente disse que iniciaria o protocolo de transplante e me internaria.

    O apartamento tinha duas camas de hospital e um sofá, onde estava deitada uma paciente tomando uma medicação por infusão na veia.

    O resultado do exame de sangue saiu e mais que dobrou, 2660...

    Conversei com vários médicos, assistente social, psicóloga, nutricionista e fizeram uma tomografia e outros exames de sangue.

    Agendaram a quimio para a manhã de quarta-feira, depois do feriado.

    Mais tarde, disseram que as instalações do hospital não suportariam meu peso e informaram que iam me dar alta e era pra recomeçar o processo na quinta-feira, de volta ao pronto atendimento, onde a atendente tentaria encaminhar para outro hospital que tivesse condições de executar o procedimento.

    Voltamos pra Londrina, o Gemini do Google Maps nos encaminhou para um desvio que parecia bom, mas logo a estrada do Cerne ficou sem asfalto e a noite chegou.

    Uma trilha cheia de curvas e poeira de 80 Km que demorou mais de duas horas para ser transposta.

    Eu não consegui dirigir já no final desse trajeto, fiquei com náuseas provavelmente por conta das incontáveis curvas.

    Juliana conduziu o carro no restante do caminho, tentei voltar a dirigir, mas as náuseas voltavam.

    Durante o final do semana, Juliana conseguiu encontrar outro hospital que faria o procedimento.

    Voltamos a Curitiba depois do feriado e a rotina de espera foi duplicada, primeiro no P.A. do Hospital Nossa Senhora das Graças, onde a atendente informou que seriamos melhor atendidos no Hospital São Vicente, entregando uma carta de recomendação redigida em conjunto com um médico que atendia nos dois.

    A carta não serviu para adiantar nada, pelo contrário, fomos diretos ao São Vicente, pouco depois das 13h e só fui internado próximo da meia-noite.

    Essa estadia foi longa, 9 dias de exames e entrevistas, outra tomografia, outra ressonância e por fim uma portografia.

    O médico informou que não seria possível realizar a quimio-embulização devido ao trombo na veia porta e a tentativa poderia causar falência geral do fígado.

    Recebi alta no dia 01/05, pedindo pra marcar consulta na terça-feira, pois na segunda se reuniriam para discutir e definir o plano de ação.

    Ficamos na casa da minha prima, que nos recebeu muito bem.

     Já na segunda-feira, a médica oncologista entrou em contato e informou que iniciariam pela imunoterapia, pois todas as outras opções eram inviáveis.

    Assim, na terça-feira, conheci outro hospital, o Santa Cruz, onde fiz a primeira sessão de infusão, das seis solicitadas.

    Pensei que ficaria sentado numa daquelas cadeiras, mas me levaram para um apartamento que parecia de resort.

    Ofereceram o café da manhã, que não consegui comer e logo depois, as opções de almoço que seria servido perto do meio-dia.

    Depois de dois hospitais com comida sem tempero algum, nem sal ou óleo, me surpreendi com o almoço com bom sabor.

    Voltei pra Londrina na noite do mesmo dia, 05/05, já com o retorno agendado para 26/05 e uma requisição de vários exames de sangue pra fazer.

    Apesar do tratamento, as condições do meu fígado são precárias e mesmo não tendo sintoma algum, ele pode não suportar e o final da corrida chegar.

    O medo da morte era grande na minha vida, mas agora, estou esperançoso de conseguir algum tempo a mais, mas se não vier, só me preocupam meus filhos que ainda viviam com a pensão alimentícia ajudando e amenizando os problemas financeiros.    

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